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MEMBRESIA

ESTAMOS ENTENDENDO TUDO ERRADO

 

O estudo do primeiro capítulo de Membresia na Igreja, de Jonathan Leeman, nos confronta com uma verdade fundamental que tem sido gradualmente negligenciada: a igreja local existe por autoridade direta de Jesus Cristo, não por concessão do Estado nem por conveniência humana. Jesus detém o império. Ele é a autoridade suprema sobre todas as coisas, inclusive sobre as nações e seus governos. A igreja vive e atua sob esse senhorio, mesmo quando o mundo se recusa a reconhecê-lo.

Diante dessa realidade, somos chamados a mudar nossa forma de pensar. Práticas que se tornaram comuns entre os cristãos — como frequentar uma igreja sem compromisso, separar batismo e membresia, participar da ceia sem vínculo com o corpo local, tratar a fé como algo individualista ou negligenciar a comunhão e a responsabilidade mútua — revelam uma compreensão distorcida do que significa seguir a Cristo em comunidade. A vida cristã não foi planejada para ser vivida de maneira isolada, autônoma ou desconectada do povo de Deus.

A Bíblia apresenta a igreja local como a maior autoridade do Reino de Cristo na terra no que diz respeito ao discipulado e à cidadania cristã. Assim como reconhecemos o governo civil como autoridade em assuntos terrenos, devemos reconhecer a igreja como o espaço onde nossa fé é afirmada, cuidada, corrigida e fortalecida. É nela que nossa profissão de fé ganha forma visível e responsável.

Embora a Escritura não trate da membresia nos moldes burocráticos modernos, ela deixa claro que Deus está formando um povo submetido à sua lei, cidadãos de um Reino, e não membros de um clube religioso. A igreja não existe para consumo espiritual, mas para expressar, no presente, a realidade futura do Reino de Cristo.

Por isso, a igreja local não é um clube, mas uma embaixada do Reino dos Céus. Ela representa, em meio às nações da terra, o governo de Cristo, protege e orienta seus cidadãos e testemunha sobre a pátria definitiva que aguardamos. Como família, rebanho, corpo e templo, a igreja manifesta, de maneira concreta, a autoridade graciosa de Cristo sobre o seu povo.

O quanto estaremos comprometidos?

A pergunta final nos conduz ao coração do discipulado cristão: o nosso compromisso com Cristo se expressa no nosso compromisso com a sua igreja. Não se trata de associação voluntária, mas de submissão amorosa, obediente e fiel ao chamado de Deus. O nível do nosso comprometimento revelará se enxergamos a igreja como um serviço que utilizamos ou como uma família à qual pertencemos; como um evento que frequentamos ou como uma embaixada do Reino à qual nos submetemos.

Assim, a verdadeira questão não é se a igreja é relevante, mas se estamos dispostos a viver como cidadãos do Reino, assumindo responsabilidades, vivendo em comunhão e perseverando em fidelidade até que o Reino de Cristo seja plenamente consumado.

 

Deus abençoe essa amada igreja!

 

Pr. Thiago Neves Carvalho

Pastor auxiliar/Educador Cristão da SIB de São Luís

 

THIAGO NEVES CARVALHO

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